A Sabedoria da Avó

    Mandava-a a Tia às compras à tasca do senhor Américo, as moedas e um papelito escrevinhado embrulhados cuidadosamente num lencito de assoar desbotado, as pontas atadas em cruz. Era como que um ritual. Lista, moedas, lenço, pontas atadas, advertência. – “Pega. Dás-lhe o papel, pedes que assente lá o preço de cada coisa […]

Os cactos das janelas

    – “As janelas são os olhos de uma casa.” – Dizia-lhe a tia, convicta, peremptória, de um peremptório estranhamente feito de doçura e graça pelo meio das palavras esparsas. Ela olhava a velha mulher, esguia e adunca como haste de milho painço curvado ao vento de verão, e perguntava-se como tudo podia ter […]

A Alice, o churrasco e a distopia

    Percorro a rua devagarinho, passo a passo, rua após rua, a fio, a eito, sem jeito, em quase completo desvario e desnorte. É que me cheira e sabe a morte. É por todo o lado a mesma sina, a mesma desdita, a mesma sorte. Agarro a mão pequenina e engelhada e fria da […]

por esses infindos fins daquelas tarde

    Anda no ar por esses infindos fins de tarde uma eternidade de tudo e nada – é como um estertor de aves em poiso súbito pelos beirais, ou os gritos alados da criançada: perde-se pelos baloiços de cordas de sisal e pelos ramos das árvores pelos muros e pelos cômoros desabitados e pelas […]