Infância

      Esquece-me já o tempo das rosas – rosas meninas, de toucado de um pérola rosado como as coisas pequeninas. Esquece-me. E fica-me só a doçura de um dia me ter lembrado.   © Nina Light CC-BY-NC-ND      

A Sabedoria da Avó

    Mandava-a a Tia às compras à tasca do senhor Américo, as moedas e um papelito escrevinhado embrulhados cuidadosamente num lencito de assoar desbotado, as pontas atadas em cruz. Era como que um ritual. Lista, moedas, lenço, pontas atadas, advertência. – “Pega. Dás-lhe o papel, pedes que assente lá o preço de cada coisa […]

Os cactos das janelas

    – “As janelas são os olhos de uma casa.” – Dizia-lhe a tia, convicta, peremptória, de um peremptório estranhamente feito de doçura e graça pelo meio das palavras esparsas. Ela olhava a velha mulher, esguia e adunca como haste de milho painço curvado ao vento de verão, e perguntava-se como tudo podia ter […]

Os Olhos e as Mãos

    Pele de pano fino do mais puro linho ou de seda ou cetim, tecido de fios brandos desafios dos anos e do nébulo destino, casulo de linho engelhado desajustado da luz infinda que esconde ainda. Assim o cabelo que sempre foi seu desvelo e orgulho: é a coroa de glória de uma mulher, […]