por esses infindos fins daquelas tarde

 
 


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Anda no ar
por esses infindos fins de tarde
uma eternidade de tudo e nada –
é como um estertor de aves
em poiso súbito pelos beirais,
ou os gritos alados da criançada:

perde-se
pelos baloiços de cordas de sisal
e pelos ramos das árvores
pelos muros e pelos cômoros desabitados
e pelas pias de pedra onde repousam
águas de matar sede a animais;

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encontra-se
no grito de um milhafre
ou no som distante e abafado
do chocalho de uma ovelha;

pelo cansado queixume e os ais
de uma velha sentada à porta da rua;
pelo fantasma da lua
redonda e tão nua
no azul rarefeito e transparente;

numa brisa que mal se sente
na mão, ou no murmúrio da folhagem;

pelo gorgolejar da água que se despenha
de encontro à madeira da selha,
e pelo repicado do grão
ao escapar-se da mão aberta
para o chão da terra certa
e farta.
E corria sempre e gritava a criançada,
como benção perene dos céus de prata.
Era coisa linda se se ver.

Porque eram assim os silêncios
que corriam pelos montes fora
por esses infindos fins daquelas tardes –
plenos
e cheios do ouro das coisas amenas
que voltam sem demora a renascer
todos os dias à mesma hora:

feitos dos ecos da luz dos dias
e de todas essas tão pequenas
e indispensáveis eternidades.

 

© Nina Light CC-BY-NC-ND


image credit: happy children running on meadow, stock image found at www.dreamstime.com via Twitter
 
 
 

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