primavera


 
 
 


Anda no ar um zumbido
maior, feito de veludo
e do profundo negro
das noites sem luar —
e até o próprio ar
vestido a luz e coroas de arco-íris
irradia cor e canto e alegria.

Corre uma brisa pequena e acesa
rodopiando remoinhos
pelas pedras da calçada —
esconde inéditos tesouros
pelos escaninhos de muro
que são casa aos besouros,
e faz os pinheiros no monte cantar
etéreas canções de sereia
com saudades da areia
e do mar.

Grita uma gralha algures
e ouve-se um correr de água
pautada e cristalina e segura
pelo barroco duro e fundo
aos pés da encosta,
e por toda a parte
há um perfume doce de flores
que explodem diurnas
e em todas as cores.

É pequeno o mundo da menina.
E o dia
é menino e puro
e sem mágoa nem dores.

 
 
 

Copyright Nina Light, CC-BY-NC-ND


 
 
 

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