outono dourado

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castanhas-assadas1a benção do outono após o tórrido verão. a frescura das pingas de uma ainda tímida chuva, na pele ainda desnuda. o aroma da terra, da erva, das ruas molhadas pelas primeiras chuvas. mais tarde, muito mais tarde, quase uma eternidade passada ou assim parecera à criança, a mãe o pai e eu a comprarmos os presentes de Natal, a mãe a arrastar-me atrás dela no seu tão apressado, borboleteado passo, o pai a deixar-se ficar para trás de propósito no seu habitual jeito descontraído de quase quero-lá-saber. de repente, um piscar dos seus olhos azuis e um sorriso, e o pequeno cone de papel escaldante materializava-se nas minhas mãos.

está tudo enterrado algures. nem mesmo a criança sobrou. só as castanhas sobraram, mas já não sabem ao mesmo. já não cheiram a amor, nem ao sorriso das coisas simples.

 

© Nina Light CC-BY-NC-ND


 
 
 

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